Alimentação e Saúde Mental: como o que você come impacta seu bem-estar

Você já parou para pensar que aquilo que colocamos no prato pode afetar não só o corpo, mas também a forma como pensamos, sentimos e até lidamos com o dia a dia? Hoje sabemos que a alimentação pode reduzir ou aumentar processos inflamatórios no organismo. Esse efeito vai muito além do peso ou do metabolismo: ele chega até o cérebro e a saúde mental. O impacto da alimentação no corpo e na mente Não é sobre um alimento isolado, mas sobre o padrão de consumo ao longo do tempo. Um padrão alimentar com excesso de ultraprocessados, açúcares refinados e frituras, e baixa presença de fibras, está associado a maior risco de depressão, ansiedade e outros transtornos do humor. Pesquisas recentes confirmam: quanto mais inflamatório é o padrão alimentar, maior o risco de desenvolver esses sintomas. Microbiota intestinal: o elo entre alimentação e emoções Grande parte desse impacto acontece porque a alimentação tem o poder de remodelar a microbiota intestinal, o conjunto de trilhões de micro-organismos que vivem no nosso intestino. O intestino como “segundo cérebro” Nosso intestino não é chamado de “segundo cérebro” à toa. Ele participa da produção e regulação de neurotransmissores que afetam diretamente as emoções: Quando a microbiota está em desequilíbrio, a produção desses neurotransmissores fica prejudicada, aumentando a vulnerabilidade a sintomas ansiosos e depressivos. Psychobiotics: uma nova fronteira na saúde mental Nos últimos anos, surgiram os psychobiotics — probióticos e prebióticos estudados especificamente para a saúde mental. Ensaios clínicos já mostram benefícios em sintomas de depressão, ansiedade e transtornos do humor. Ainda é cedo para falar em soluções definitivas, mas a mensagem é clara: cuidar da microbiota é também cuidar da mente. Como proteger sua saúde mental com a alimentação Alimentação, microbiota e saúde mental estão conectados. Um padrão alimentar rico em fibras, frutas, verduras, legumes, gorduras boas e compostos naturais, consumidos com regularidade, ajuda a proteger não só o corpo, mas também o equilíbrio emocional. Lembre-se: o cérebro sente aquilo que o intestino vive. Cultivar um padrão alimentar menos inflamatório é um gesto simples, mas poderoso, de cuidado com você mesmo. Gostou do assunto abordado? Aproveite e leia também sobre “O que A Sua Boca Tem A Ver Com a Sua Saúde Mental?” FONTES: https://www.frontiersin.org/journals/nutrition/articles/10.3389/fnut.2021.662357/full DOI: 10.3390/nu15173704• DOI: 10.3390/ijms231911245• DOI: 10.3389/fpsyt.2023.1074736• DOI: 10.3389/fnut.2023.1173660• DOI: 10.3390/nu16071054• DOI: 10.3390/metabo14100549• DOI: 10.3390/nu15061496• DOI: 10.1097/MD.0000000000036584• DOI: 10.1002/ctm2.471
Chocolate amargo: prazer para o paladar e combustível para o cérebro

Quando se fala em chocolate, quase sempre pensamos em prazer, conforto e um momento especial para desacelerar. Mas, além de encantar o paladar, o chocolate amargo pode ser um aliado poderoso para o cérebro, especialmente quando precisamos manter o foco e a concentração. Um estudo recente publicado na revista Heliyon (2024) revelou que 25 g de chocolate amargo com alto teor de cacau (70–85%) podem ajudar a preservar o desempenho mental durante tarefas longas e desafiadoras. Isso significa que o chocolate, quando consumido na versão certa e na medida adequada, pode nutrir não apenas o corpo, mas também a mente. O estudo que ligou chocolate amargo e desempenho cerebral A pesquisa foi realizada com adultos que receberam dois tipos de chocolate: um rico em polifenóis (635 mg) — compostos antioxidantes presentes no cacau — e outro com baixo teor desses compostos (211 mg). Após o consumo, os participantes realizaram tarefas que exigiam alto nível de atenção e controle mental. O resultado foi surpreendente: Em outras palavras, a versão mais concentrada em cacau ajudou o cérebro a “aguentar firme” por mais tempo, sem perda significativa na performance. Por que o chocolate amargo ajuda o cérebro? O segredo está na composição do cacau, que é naturalmente rico em flavonoides, como a epicatequina e as proantocianidinas, e na teobromina. Essas substâncias têm efeitos importantes: Com isso, o chocolate amargo oferece suporte para manter o raciocínio claro e a atenção afiada, especialmente em situações que exigem esforço mental prolongado. Nem todo chocolate é igual É importante lembrar que os benefícios citados no estudo não se aplicam a qualquer tipo de chocolate. Para alcançar o efeito observado, o ideal é consumir versões com pelo menos 70% de cacau. O chocolate ao leite e os que contêm muito açúcar têm menor quantidade de polifenóis e, portanto, não oferecem o mesmo suporte cognitivo. No estudo, a dose utilizada foi de 25 g de chocolate amargo por dia — aproximadamente dois quadradinhos de uma barra padrão. Esse é um ponto essencial: mesmo o chocolate mais saudável deve ser consumido com moderação, pois ainda é calórico e pode impactar negativamente a saúde se ingerido em excesso. Cuidados individuais Nem todas as pessoas podem ou devem consumir chocolate regularmente. Quem tem condições como refluxo, alergias, enxaqueca sensível à cafeína ou intolerância à lactose (em alguns chocolates) deve avaliar junto a um profissional se o consumo é indicado. No Método Nutrição com Acolhimento®, considero a história, os sintomas e os objetivos de cada paciente. Isso significa que, antes de indicar o chocolate amargo como aliado do foco e da concentração, avalio o contexto completo da pessoa. Chocolate, bem-estar emocional e ciência Além de favorecer a função cognitiva, o chocolate amargo pode contribuir para o bem-estar emocional. Seu sabor marcante e textura cremosa ativam áreas cerebrais ligadas ao prazer e à recompensa, estimulando a liberação de endorfinas e modulando neurotransmissores relacionados ao bom humor.Essa combinação de benefícios sensoriais e efeitos no cérebro torna o chocolate amargo um alimento especial, unindo prazer e saúde de forma única. Resumo dos benefícios do chocolate amargo para o cérebro Conclusão O chocolate amargo, quando consumido de forma consciente e com alto teor de cacau, pode ser um recurso saboroso para apoiar o cérebro em momentos de alta demanda mental. Se para você o chocolate amargo fizer sentido, ele pode ser um aliado não apenas do bem-estar emocional, mas também do desempenho cognitivo. Veja a fonte deste estudo acessando aqui https://doi.org/10.1016/j.heliyon.2024.e24430 Lembre-se: equilíbrio é sempre a chave. E, quando a ciência se alia ao prazer, o resultado é muito mais doce — e saudável. 🍫✨ Quer saber mais sobre como unir nutrição e bem-estar? Acesse a página do blog e descubra outros conteúdos que farão muito bem a sua saúde 😊 Veja a fonte deste estudo acessando aqui https://doi.org/10.1016/j.heliyon.2024.e24430
Creatina é para Todo Mundo? Descubra a Verdade por Trás da Suplementação que Virou Febre

Nos últimos anos, o nome creatina passou a aparecer com frequência nas redes sociais, nas conversas entre amigos, nas consultas e, claro, na prateleira dos suplementos. A pergunta que mais tenho escutado no consultório é: “Flávia, creatina é para qualquer pessoa mesmo?” A resposta, como quase tudo na nutrição, é: depende.Mas antes de explicar para quem a creatina é indicada, vamos entender por que ela se tornou tão popular e, ao mesmo tempo, cercada de mitos. O que é a creatina e para que serve? A creatina é uma substância naturalmente produzida pelo nosso corpo, principalmente pelos rins, fígado e pâncreas. Ela também está presente em alimentos de origem animal como carnes e peixes. Sua principal função é fornecer energia rápida para os músculos, o que a torna especialmente útil durante atividades de alta intensidade e curta duração — como treinos de força, por exemplo. Mas os benefícios da creatina vão muito além da academia. Por que tanta gente está interessada na creatina? Nos últimos tempos, surgiram diversos estudos científicos mostrando que a creatina pode trazer benefícios para o cérebro, saúde óssea, desempenho cognitivo e até envelhecimento saudável. É por isso que ela passou a ser indicada também para: Ou seja: não é moda. O interesse crescente tem base científica — mas é fundamental avaliar cada caso com responsabilidade. Creatina é segura? Faz mal aos rins? Essa é outra dúvida comum.A creatina não é prejudicial aos rins em pessoas saudáveis. Diversos estudos já comprovaram sua segurança a longo prazo, desde que o consumo seja orientado por um profissional capacitado, respeitando individualidades, ingestão de água e necessidades nutricionais. Em pessoas com problemas renais pré-existentes, é preciso cautela e acompanhamento médico. Todo mundo deveria tomar creatina? Não.A creatina é um suplemento — e não uma regra.Ela pode ser extremamente benéfica para alguns perfis e desnecessária para outros. A decisão de usar ou não deve ser baseada em uma avaliação individualizada, considerando: Aqui no meu atendimento com o método Nutrição com Acolhimento®, avaliamos não só os exames, mas a história, os hábitos e a realidade de cada pessoa antes de qualquer indicação. Mas afinal, vale a pena considerar? Se você está buscando mais vitalidade, força muscular, foco mental ou sente que sua alimentação pode não estar entregando tudo o que precisa, pode ser que a creatina te ajude sim. Mas como tudo na nutrição, o primeiro passo é sempre o autoconhecimento com orientação profissional.Não caia no modismo ou no conselho de um influencer que não conhece a sua história. Conclusão A creatina não é uma vilã e nem uma solução mágica.É uma ferramenta poderosa quando usada com consciência, orientação e afeto — como tudo o que envolve cuidado com a saúde. Se você está em dúvida sobre incluir a creatina na sua rotina, marque uma consulta. Juntas, podemos entender o que seu corpo realmente precisa — com leveza, responsabilidade e acolhimento. Fontes:DOI:10.1016/j.exger.2018.04.013.DOI: 10.1016/j.heliyon.2024.e24430.DOI: 10.1093/nutrit/nuac064DOI: 10.1002/trc2.70101 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29704637 LEIA TAMBÉM O Método Nutrição Com Acolhimento