Monjaro® na vida real: o que acontece no corpo e por que nutrição e comportamento definem os resultados

monjaro

Nos últimos tempos, medicamentos como o Monjaro® (tirzepatida) têm ganhado destaque no tratamento da obesidade, da resistência à insulina e do diabetes tipo 2. Sim: eles funcionam.
Mas existe um ponto que quase ninguém fala: nenhum agonista de GLP-1 substitui os pilares da nutrição, do comportamento e do autocuidado.
Eles abrem uma janela. Quem transforma a vida é você.

GLP-1 e GIP: o que são e por que revolucionaram o tratamento com o Monjaro®

Para entender como o Monjaro® age, precisamos começar pelo começo: as incretinas. Esses são hormônios peptídicos produzidos no intestino naturalmente após a alimentação. As principais são:

GLP-1 (glucagon-like peptide-1)
GIP (gastric inhibitory polypeptide)

Esses hormônios fazem parte do “diálogo” contínuo entre intestino, cérebro e metabolismo, regulando funções essenciais para o equilíbrio energético:

GLP-1

  • aumenta saciedade
  • reduz o apetite
  • retarda o esvaziamento gástrico
  • estimula a secreção de insulina
  • melhora o controle da glicemia
  • modula a motilidade intestinal
  • exerce papel anti-inflamatório
  • influencia comportamento alimentar e circuitos de recompensa

GIP

  • aumenta a secreção de insulina de forma dependente da glicose
  • melhora sensibilidade à insulina
  • participa da regulação do metabolismo de gorduras
  • modula resposta glicêmica pós-prandial

O que o Monjaro® faz no organismo

O Monjaro® contém tirzepatida, um agonista duplo de GLP-1 e GIP. Isso significa que ele imita essas incretinas, porém:

  • de maneira muito mais potente
  • por muito mais tempo
  • com ação contínua nos receptores hormonais

A ação combinada de GLP-1 + GIP reorganiza o eixo intestino–cérebro, diminuindo o ruído metabólico que antes impulsionava:

  • fome exagerada
  • compulsões
  • vontade de doces
  • comer automático
  • beliscos constantes

É por isso que tantas pessoas relatam “paz”, “silêncio” ou “alívio” durante o tratamento com Monjaro®.

Mas essa mesma fisiologia tem um custo metabólico importante.
E é aqui que entra a nutrição.

O que diminui com a queda da fome usando Monjaro®

Com menos fome, vem também menos ingestão e o risco nutricional aumenta. A diminuição do apetite é terapêutica, mas também reduz:

  • proteínas
  • fibras
  • vitaminas e minerais
  • diversidade alimentar
  • ingestão total de energia

O que a literatura mostra hoje:

  • a maior parte das pessoas — cerca de 70–80% — recupera o peso perdido após interromper agonistas de GLP-1 sem acompanhamento nutricional e comportamental
  • orientação nutricional adequada reduz insuficiências em até 90%

Ou seja: o remédio reduz a fome, mas o corpo continua precisando de substrato.

Sem isso surgem:

  • queda de cabelo
  • pele fina (“Ozempic face”)
  • unhas fracas
  • fadiga intensa
  • dores de cabeça
  • constipação
  • baixa imunidade
  • perda de massa muscular
  • piora cognitiva e emocional
  • alteração de humor
  • pior resposta ao próprio GLP-1

Nada disso é “efeito colateral inevitável”, é insuficiência nutricional não corrigida.

Micronutrientes: a insuficiência silenciosa na era do Monjaro®

Com menos fome, a ingestão diminui e com ela, muitas vezes diminui também a qualidade do que se come. Dietas menores tendem a ter:

  • menos proteínas
  • menos fibras
  • menos frutas e vegetais
  • menos gorduras boas
  • menos variedade

A consequência? Insuficiências nutricionais — não por causa do Monjaro®, mas do baixo aporte alimentar.

A literatura recente mostra que alguns micronutrientes são particularmente sensíveis a esse cenário de baixa ingestão:

Magnésio

Participa de mais de mil reações no corpo. Baixos níveis afetam energia, humor, músculo, imunidade, constipação e sensibilidade à insulina.

Complexo B

Fundamental para metabolismo energético, humor e clareza mental. Em dietas menores, costuma faltar.

Vitamina A, Vitamina E e Cálcio

Também aparecem como deficiências frequentes.

Vitamina A: imunidade e integridade intestinal.
Vitamina E: antioxidante e saúde mitocondrial.
Cálcio: saúde óssea e metabolismo energético.

Minerais como zinco, selênio e ferro também podem se tornar insuficientes, afetando imunidade, energia e função mitocondrial.

Vitamina D

Vai além da saúde óssea e participa da sensibilidade à insulina, inflamação, microbiota e neurotransmissores.

Aqui entra um ponto essencial:
*A maior fonte de vitamina D é a exposição solar, e pessoas em uso de *Monjaro® muitas vezes se expõem menos ao sol (fadiga, rotina interna, inflamação prévia etc.).

Por isso um plano alimentar estruturado — mesmo com porções pequenas — faz tanta diferença.

O músculo e o intestino: pilares para o sucesso do Monjaro®

O músculo é um órgão endócrino

Produz mioquinas que regulam insulina, humor, metabolismo e energia.
Quando a ingestão cai, como acontece com agonistas de GLP-1/GIP, o músculo é um dos primeiros tecidos a sofrer.

Perder massa magra significa:

  • perder sensibilidade à insulina
  • reduzir gasto energético
  • fragilizar o metabolismo

Preservar musculatura é essencial para resultados duradouros com Monjaro®.

O intestino: maestro do metabolismo

A microbiota regula metabolismo, comportamento alimentar, humor e inflamação.

Uma microbiota equilibrada:

  • reduz inflamação
  • melhora humor e ansiedade
  • regula o trânsito intestinal
  • conversa com o cérebro via hormônios, citocinas e SCFAs

Trabalhar a microbiota ajuda a potencializar os efeitos do Monjaro® e reduzir efeitos como náuseas, constipação e distensão.

O eixo comportamental: o pilar que sustenta os resultados com Monjaro® no longo prazo

Mesmo com toda a atuação metabólica da tirzepatida, existe um eixo que muda tudo: o comportamental.

A tirzepatida reduz a urgência por comer. Isso abre um espaço mental para observar o que antes estava encoberto.

Neste momento, vale olhar para:

  • Como está o meu sono?
  • Como está o meu estresse?
  • Como eu me alimento quando não estou com fome?
  • Eu como para nutrir ou para anestesiar?
  • Que parte da minha vida me desequilibra?
  • Que hábitos preciso reconstruir?
  • Que cuidado cabe na minha rotina agora?

Os pilares que sustentam resultados reais:

  • sono regulado
  • movimento prazeroso
  • rituais de pausa
  • alimentação consciente
  • hidratação
  • organização
  • conexão emocional
  • rotina alimentar estável

Quando esses pilares se alinham, o corpo responde com mais leveza, previsibilidade e saúde — durante e após o Monjaro®.

Referências

doi.org/10.3390/ph16060836
doi.org/10.1038/s41574-022-00783-3
doi.org/10.3390/microorganisms10020452
10.3389/fnut.2025.1566498
Obesity Pillars 15 (2025) 100186

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